Quem vem do sul, imediatamente antes do túnel da Gardunha, a placa sinalizadora indicando Castelo Novo diz que chegou o momento de abandonar a A23. Os cerca de 300 habitantes desta povoação já se habituaram a receber forasteiros. O volume de visitas aumentou após o povoado ter sido elevado à categoria de aldeia histórica e a via rápida ter aqui chegado.
Cerca-a, como que protegendo-a, a florida serra da Gardunha. Lá mais para a Primavera são as cerejeiras em flor, agora que o Outono já se instalou cobrem a serra os castanheiros. Eugénio de Andrade, inspirado-se na sua infância beirã cantou esta Natureza no poema “Uma Cerejeira em Flor”. Já mais raras vão sendo as bengalas de São José, uma flor que não é vista em mais sítio nenhum do globo e que se encontra em vias de extinção.
Os largos de Castelo Novo
Castelo Novo foi das primeiras povoações da região a ter administração própria. A sua população tinha fiéis suficientes que justificaram a existência dos 5 templos que aqui existem. Nos largos e terreiros reúnem-se mulheres que carregam o peso do luto à espera deste sol que já começa a ser mais raro. São excelentes conversadoras, caso deseje saber mais algum pormenor.
No antigo edifício dos Paços do Concelho, plantado num dos largos mais bonitos da aldeia, funciona hoje a sala de exposição de artesanato local e do pintor Barata Moura. D. Manuel I mandou aí esculpir as armas reais, a Cruz de Cristo e a esfera armilar, mas as gárgulas continuam a conferir-lhe um ar medieval.
No piso térreo funcionava a antiga cadeia e o pelourinho está logo em frente. Ainda hoje são visíveis os ferros da sujeição dos castigos mais leves porque a pena capital era exercida à saída da aldeia na rocha a que puseram o nome de Cabeço da Forca. Cravado no granito estão duas caveiras e várias tíbias. Nas cavidades rectangulares ainda hoje perceptíveis, colocavam-se os esteios da forca. Uma escada aí apoiada permite que se suba para ver mais de perto.
Incrustado na frontaria da antiga câmara está o Chafariz das Três Bicas. A agulha do pórtico aponta para quem mandava em Castelo Novo à altura, a coroa de D. João V. Nunca era demais lembrar... Em baixo, são recolhidas as águas excedentes que serviam para que também os animais se saciassem. Hoje já não há cavalos para aqui virem beber mas em contrapartida há quem venha de propósito para nesta fonte se abastecer de água. Porque é mais saudável, dizem.
Paula Oliveira Silva 2004-10-19