Desta localidade que dá nome ao salgado não há informações exactas da sua fundação. Porém, de acordo com as escavações feitas no castelo, a ocupação humana é longínqua e remonta a mais de 5 mil anos de história. Foi sobretudo na época romana que se destacou chegando a ser capital da civitas com o privilégio de cunhar moeda própria. Foi ainda durante o período islâmico uma das praças fortes da Península Ibérica.
Revista a história que comece o passeio. Deste ponto mais alto de Alcácer vê-se o Sado, antiga auto-estrada de exportação do sal, transformado hoje em espelho dos campos de arroz em redor. É caso para dizer, mudam-se os tempos mudam-se as paisagens. E há até já quem fale na terceira fase do “ouro branco” em Alcácer. Depois do sal e do arroz é a vez do pinhão, directamente dos pinhais da Comporta. Uma cegonha voa ruidosamente com destino à chaminé da Igreja de Santa Maria do Castelo, uma das poucas que se mantém aberta para visitante ver. As naves estão decoradas por bonitos capitéis românicos e azulejos seiscentistas. Sobrevoam as ditas aves o castelo de origem muçulmana (dos casos já raros que utilizam a taipa na sua construção) para contentamento de visitantes e de hóspedes. É que parte da fortaleza - que também já foi convento - está transformada em pousada histórica, o que é sempre uma aposta segura para o viajante que em Alcácer deseje dormir. Foram precisamente essas obras de adaptação à hotelaria que permitiram os achados arqueológicos no perímetro desta antiga alcáçova muçulmana e que deram origem a outro núcleo do museu municipal.
Paragem no Tempo
Fundado em 1894, o museu é um dos mais antigos do país. Valeu-lhe a boa vontade e as muitas doações de particulares. Não deixe que o reduzido tamanho do local o desiluda. Instalado na antiga Igreja do Espírito Santo, aqui a história multiplica-se vertiginosamente com o espólio arqueológico do conselho a começar no Mesolítico. Da altura da fundação pode observar-se ainda a pia baptismal.
A janela manuelina (que poucos sabem que já foi porta) é atracção para o turista que muitas vezes se fica apenas pela fotografia da fachada. Mal sabem eles que o passado deste modesto templo conta que D. Manuel celebrou em 1501 o casamento com a Infanta D. Maria de Castela na mesma localidade que 6 anos antes o aclamou rei. Encontra-se actualmente encerrado para obras de beneficiação, estando prevista a sua abertura para o início de 2010.
Paula Oliveira Silva 2004-05-18