A cidade
Regionalismos à parte, costuma-se dizer que as cidades do norte têm menos luz que as do sul, talvez por causa do xisto em oposição à brancura da cal. Pode ser, mas por incrível que pareça, a transmontana Mirandela, encanta pela sua luz e não só. À vista desarmada, o centro da cidade parece ser harmonioso e bem enquadrado. Os edifícios, quase todos com dois e três andares, casam bem uns com os outros em altuta. Oscilam quase sempre entre os tons claros e brancos, rosas e azuis.
Mas isto para a fotografia postal, vista ao longe. Paisagens à parte, é a pé que se conhece, aliás, como em qualquer cidade. Terra de bom alimento, a avaliar pelos inúmeros restaurantes, cafés e tascas que se encontram, nunca é demais fazer uma paragem nalgum deles para descobrir os sabores da terra.
Depois do mercado municipal, embrenhe-se pelas ruas e caminhe em direcção ao rio, apreciando apenas a envolvência das pessoas que passam. Mirandela, para além de ser uma cidade bonita, permite que se ande a pé sem dificuldades, pois ainda não há demasiados carros nem confusão.
A ponte
Continue com o passeio até chegar à marginal, onde vai encontrar o rio Tua. Ao fim da tarde, as suas águas parecem um espelho de luz que reflectem a imagem da cidade, em tons rosa e dourados. Junto às margens, velhos sentados em bancos de jardins jogam às cartas em grupos, ou aqui e acolá, um casal de namorados avança devagar.
Estas cenas desenrolam-se sempre debaixo do olhar vigilante da velha ponte românica, com os seus 20 arcos diferentes. Reconstruída no período absolutista, mantém o charme do passado que encanta. De noite, torna-se um espectáculo bonito passear pela ponte e perceber que os seus candeeiros salpicam a água do Tua de ilhas de luz. Fechada ao trânsito já há alguns anos, pelo seu tabuleiro circulam apenas pessoas e bicicletas, o que lhe dá um ar mais humano e simpático.
N'Dalo Rocha 2002-08-13