A Guerra dos Chocolates

Vêm aí os Côte D'Or.

O mercado dos chocolates em Portugal vai ser oficialmente invadido a partir de Fevereiro. A investida é da responsabilidade da marca belga Côte d'Or, que cruza a nossa fronteira à conquista de 25% da gulodice lusa.

O lançamento dos chocolates Côte d'Or no mercado luso é da responsabilidade da empresa Kraft Foods, que tem objectivos muito bem definidos: conquistar 25 % da quota total no segmento de tabletes de chocolate. Os principais concorrentes também estão claramente identificados: Lindt, Cadbury e Gylian. Apetece perguntar: onde é que nos podemos inscrever como júris?

Tudo começou há 123 anos atrás, em pleno apogeu industrial da Bélgica. No dia 24 de Abril de 1883, Charles Neuhaus, um artesão de chocolateria que havia aberto uma Chocolaterie-Confiserie em 1870, cria a marca Côte d’Or. O nome foi escolhido em homenagem à origem de parte do cacau que utilizava na sua confecção – a Costa do Ouro, hoje conhecida por Gana.

No princípio do século XX, e na sequência da expansão colonial, os belgas começam a descobrir e a apreciar novos sabores, desenvolvendo um particular entusiasmo pelo já famoso “chocolate do elefante”. O símbolo da marca manteve a sua força até aos dias de hoje. Na Exposição Universal de Bruxelas de 1935, o pavilhão Côte d’Or causa enorme sensação, maravilhando amantes de chocolate de todo o mundo com a criatividade exuberante dos mestres chocolatiers da casa, que aí exibiram a sua mais recente invenção: um recheio cremoso a que chamaram praliné.

A segunda Guerra Mundial veio, claro está, refrear a actividade da empresa, mas ao restabelecimento da paz depressa se sucedeu o restabelecimento do fabrico deste “ouro doce” de que os belgas tantas saudades manifestavam. E foi, mais uma vez, na Exposição Universal de Bruxelas, desta feita em 1958, que o “elefante” deixou a sua possante marca – sobretudo no palato de quem por lá passou, por via do Dessert 58, uma deliciosa receita de praliné à base de amêndoas e avelãs, confeccionada especialmente para assinalar o regresso definitivo da Côte d’Or.

A oferta tem vindo a crescer e a diversificar-se com o passar dos anos, existindo dezenas de diferentes produtos. As clássicas tabletes de chocolate constituem uma percentagem muito significativa do catálogo, subdividindo-se em inúmeros sabores e combinações: chocolate preto simples (com 70% e 86% de cacau) e com framboesas, laranjas ou amêndoas, chocolate de leite simples e com praliné de amêndoas, com avelãs, com nozes ou com chocolate preto, e uma série de pequenas barras, quadrados de chocolate e bombons de perder a cabeça. O chocolate fundente é especialmente recomendado para um Fondue altamente pecaminoso e o creme para barrar é o responsável por sanduíches de comer e chorar por mais.

Tudo isto, brevemente, numa prateleira perto de si.

Ana Marta Ramos 2006-01-31

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