Gostavas de pintar? Cada vez mais nas nossas grandes cidades vamos vendo alguns murais pintados e alguns deles até bem bonitos por sinal. O graffiti, palavra italiana que significa inscrição gatafunhada, já há muito que deixou de ser uma arte marginal de meninos rebeldes dados a actos de vandalismo.
Talvez te soe estranho, mas em primeiro lugar, há que separar o que é o verdadeiro graffiti, da pintura pobre, da parede pinchada ou simplesmente da inscrição obscena.
E à medida que fores conhecendo mais esta arte, talvez a vás valorizando. Por exemplo, só na área da Grande Lisboa já existem Câmaras Municipais que apoiam tais iniciativas, como a de Oeiras, Almada e Seixal e mesmo Juntas de Freguesia como a da Pontinha ou de Benfica, que volta e meia fazem workshops de graffiti.
Pergunta: estarão os senhores políticos loucos? Não, muito pelo contrário, simplesmente aprenderam a separar o trigo do joio. E tanto assim é, que nos concursos são seleccionados só os melhores artistas para darem largas ao seus talentos.
Actualmente, os melhores graffiters já produzem pinturas para algumas lojas de moda ou de surf, mas quase podes contá-los pelos dedos de uma mão. Ao contrário do que acontece na Alemanha ou mesmo em São Paulo, onde existe uma cultura muito enraizada no meio da selva de betão, e não é difícil encontrar sites de graffiters que apresentam os seus trabalhos como qualquer outro artista plástico. Hoje em dia o artista do graffiti é um autêntico profissional do spray, que evoluiu muito desde a cena suburbana que teve início em Nova York na década de setenta.
Em Portugal, só há pouco tempo é que o movimento começou a perder a conotação marginal que sempre tivera, ganhando mais aceitação na sociedade, ma non troppo! Ricardo Silva, um ex-graffiter da Pontinha, explica que “quem é do meio da cena do graffiti sabe perfeitamente distinguir a que categoria pertence cada executante e qual a qualidade do seu trabalho.”
Assim, os toys são os miúdos que atacam as paredes sem qualquer razão aparente e consequente, e por vezes com resultados estéticos duvidosos. Os wannabe’s, são os principiantes que ainda não dominam a técnica suficientemente bem para pintarem desenhos bonitos. Os graffiters não pintam bem nem mal, mas lá vão pintando. Já os writers, dominam a técnica e já têm um estilo bom e conseguem pintar alguns murais com muita qualidade. E finalmente os kings que são artistas de extremo talento.
Inspira-te e aproveita algum concurso ou workshop para experimentar. Porém, há que ter cuidado porque não podes sair por aí a eito a pintar todas as paredes que te apetece, sob pena de a própria polícia te importunar. E cá não é bem como na Holanda, onde se vai a tribunal e há um funcionário com formação em arte que se desloca ao local graffitado para determinar se a pintura em questão é ou não arte. Caso seja, o artista poderá ser admoestado e pouco mais. Se não, arrisca-se a pagar uma multa por vandalizar a propriedade alheia. Por cá, as nossas autoridades ainda não estão sensíveis, por isso, atenção ao que fazes.
Segundo os graffiters, a melhor maneira de desenvolver as tuas potencialidades será começar a desenhar… num caderno. E são precisos muito desenhos para começares a acertar o traço e só depois é que deves pegar nas latas para apurar a técnica.
Se tiveres interesse em experimentar, eis aqui alguns sites sobre o assunto.
www.graffiti.org
www.graffitis-bilder.de/grafitis.htm
N'Dalo Rocha 2004-04-06