A cidade é caracterizada pelas suas peculiares ruas e vielas sinuosas que desembocam em pitorescos largos e praças, aqui e ali enfeitados com estátuas de gente famosa. Também é uma constante na paisagem da cidade os palacetes e as casas senhoriais, agora voltadas para o turismo, que recordam o visitante a importância que Viana do Castelo teve no contexto nacional do século XV. Daí partiram os navegadores para os Descobrimentos, celebrizando este importante ponto de pesca e terra. A Praça da República é, sem dúvida, o centro mítico da cidade, o seu ex-libris por excelência. Trata-se de uma das praças mais pitorescas de Portugal, com o seu chafariz cuja água é expelida da boca das suas figuras neoclássicas. A um nível mais baixo existe uma arcada romana e num nível superior elevam-se os clássicos balcões renascentistas. O outro edifício característico desta praça é o Paço do Concelho, que data de 1502 e alberga actualmente a Câmara Municipal de Viana do Castelo. Este edifício está construido sobre uma arcada feita de arcos góticos e recebe diariamente a visita não só dos utentes da câmara mas também de filas de turistas, curiosos com a beleza e a imponência do local, ao mesmo tempo tranquila e protectora.
Por todo o lado perpassa a ideia de que a cidade é um museu vivo, com os seus incontáveis monumentos e casas nobres de diferentes períodos e estilos. Estamos no coração do Minho litoral, do Minho voltado para os pescadores, para os pinhais, para a brisa do mar e para o futuro que, ao consta por lá, sempre veio por mar. Trata-se também da capital do folclore rico, com as conhecidas Noivas de Viana e os seus vestidos adornados de ouro. É uma tradição rica, faustosa mas também popular e genuína, levada a todos através de características festas como as da Nossa Senhora da Agonia, celebrada em Agosto. Esta capital portuguesa da romaria atrai multidões dos quatro cantos do país para assistirem à procissão anual, onde desfilam as famosas noivas. Aí, não faltam os trajes típicos, os arraiais, a música tradicional, os bailes e o fogo de artifício. É também esta a altura da tradicional benção aos barcos de pesca.
Álvaro Cúria 2003-02-04