2º Parte - Minas do Lousal

O primeiro segredo: à mesa

Chega-se ao Lousal através de um corte no IC 1, a norte de Ermidas do Sado e a Sul de Canal Caveira e Azinheira dos Barros. A maioria dos 50 mil visitantes anuais acaba por descobrir facilmente um dos mais preciosos segredos da aldeia – o Restaurante Armazém Central, onde os mineiros ainda cantam, ocupa a antiga central a vapor, no fim da estrada de acesso desde o IC 1. Há migas, jantarinho do monte, ensopado de borrego e sopa de cação, entre outras especialidades. O atendimento é irrepreensível.

No percurso de carro, já se obteve um vislumbre do ambiente, que muitos consideram único: bairros de típicas moradias caiadas, pavilhões industriais em semi-ruína, outros recuperados, o jardim, as casas que foram da direcção, dos técnicos e dos engenheiros, o antigo hospital e a escola primária.

Junto ao restaurante, as lojas de artesanato propõem tapeçarias, bordados, móveis e louça com pintura alentejana, artigos em ferro forjado, mobílias restauradas, mas também compotas e outros elementos da gastronomia regional. O mercado de produtos locais está para reabrir, melhorado.

O museu beneficia de um extenso espólio de documentos, objectos e equipamentos, permitindo espreitar o quotidiano dos anos de prosperidade da mina. O núcleo da antiga central eléctrica apresenta os motores e compressores originais e acolhe uma exposição especialmente interessante para as crianças: 49 modelos de minas do século XIX, quase todos construídos na Real Academia de Freiberg, na Alemanha.

CAVE de realidade virtual

Mas, a mais recente e entusiasmante atracção do Lousal é o centro de ciência viva, um espaço com uma intensa componente lúdica e educativa, a pensar nos mais novos. O principal chamariz é a tecnologia de realidade virtual que permite recriar cenários com imagem, som e cheiro na infra-estrutura CAVE (Computer Assisted Virtual Environment).

Há ainda uma área com jogos interactivos e actividades adequadas às crianças. Noutra sala, os visitantes encontram suspensos de uma parede três carochas (o famoso Volkwagen). Um está completo, os outros apresentam-se sem os componentes fabricados com recursos minerais, de modo a expor a dependência humana face ao parque geológico. Brevemente, entram em funcionamento os módulos interactivos para banhos de ciência no antigo balneário.

Há 20 anos que ninguém acede ao coração da mina. O projecto de dinamização turística do Lousal prevê a descida às galerias, através de um elevador panorâmico que levará os visitantes até aos 45 metros de profundidade, equipados com capacete, botas, lanterna e impermeável. Uma viagem a não perder, com certeza. Mas que, por enquanto, repousa no papel.

Receba as melhores oportunidades no seu e-mail
Registe-se agora