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PORTUGAL FAZ-LHE BEM

Ruínas de Conímbriga

Trata-se da mais extensa e mais estudada estância arqueológica romana existente em Portugal. Cidade fortificada, construída sobre um povoado da Idade do Ferro, fica situada num local de passagem da estrada que unia Olisipo (Lisboa) a Bracara Augusta (Braga), passando por Aeminium (Coimbra). Era servida de água pela nascente de Alcabideque, através de um aqueduto da época de Augusto, com mais de 3,5 km de extensão. Destaca-se, entre os vários espaços, a Casa dos Repuxos - com o seu jardim central e os mosaicos representando cenas mitológicas, caçadas e animais primitivos -, o Fórum e as Termas de Trajano.Desde o século XX que o local passou a albergar o Museu Monográfico de Conímbriga. (Monumento Nacional)

Horário de visita: De Outubro a Maio - das 10:00 às 18:00; De Junho a Setembro - das 09:00 às 20:00
Título: A mais importante cidade romana
Morada: Apartado 54
Código Postal: 3151 999 CONDEIXA-A-VELHA
Tel: 239949110
E-mail: info@conimbriga.pt
Site: www.conimbriga.pt
Distrito: Coimbra
Concelho: Condeixa-a-Nova
Freguesia: Condeixa-a-Velha

Explorar Conimbriga


Uma viagem ao Império Romano



Conimbriga é a joia do património do concelho de Condeixa. Foi uma importante cidade romana e o facto de ter sido abandonada após a queda do Império ajudou a preservar muitos dos seus monumentosa e edifícios que foram ficando enterrados. Hoje revela os vestiígios de um Império com mais de 2000 mil anos. Venha descobri-los.

À chegada a Conimbriga, que fica a cinco minutos de carro da sede do concelho pela N 347, direção Penela/Tomar, comece por visitar as Ruínas e complemente, depois, com a visita ao Museu Monográfico de Conimbriga. Neste último encontrará expostas lápides, estátuas e diversos objetos do quotidiano, descobertos ao longo de sucessivas campanhas arqueológicas.

Era uma vez duas cidades

Adquira o Guia das Ruínas, vendido na bilheteira ou no Museu, que inclui uma vista geral da cidade no seu apogeu e reconstituições do fórum, das termas e doutros edifícios.
Mal se passa a arcada onde fica a bilheteira, saltam à vista alguns troços da muralha, de recorte quase medieval, que, olhando para oeste, se percebe que rodeava a cidade.
Isto significa que não houve uma Conimbriga mas duas (ou mais): a cidade da época alta do Império Romano, construída no século I d.C. (que, por sua vez, incorporou um antigo povoado pré-romano), e a cidade muralhada no começo do século IV, no início da desagregação do Império.

Desde logo se constata que esta fortificação implicou uma forte redução do perímetro habitado e o sacrifício de edifícios, tanto públicos (anfiteatro e termas da muralha), como privados (Casa dos Repuxos).

A esta muralha, aparentemente feita à pressa, parece faltar o rigor das obras públicas romanas, sendo patente o reaproveitamento de materiais de outras construções, como o anfiteatro.

O mistério da muralha

O aspeto destas defesas e o que se conta sobre elas reforçam a ideia de uma quase barricada erguida à pressa para proteger a cidade dos bárbaros. Mas terá sido rigorosamente assim? Na época do amuralhamento, ou seja, no início do século IV, não há ameaça de invasão da Península

Porquê, então, a construção tão prematura de uma muralha, ainda por cima à custa de elementos centrais da cultura romana, a começar pelo anfiteatro? Será que a cristianização da sociedade hispanoromana (de que é testemunho a basílica paleocristã que encontramos nas Ruínas) implicou a rejeição de símbolos da Roma pagã, como o anfiteatro?

Será que a centralização orçamental imposta pelo imperador Teodósio, ao proibir os patrícios ricos de patrocinarem festas públicas, levou à perda de importância do anfiteatro? Ou será que, com a decadência do comércio no Império e da economia centralizada, se gerou um pré-feudalismo, com as cidades a passarem a viver do domínio do território envolvente? Nesse caso, as muralhas de Conimbriga teriam começado por ser a afirmação simbólica desse novo poder local.

Os tempos da decadência

Narram as crónicas que, apesar da muralha, a cidade terá sido saqueada pelos Suevos em 465 e 468, tendo, nesta segunda vez, sido morto o nobre Cantaber (adiante se falará das ruínas da sua casa) e vendida a sua família como escrava. Nessa altura, já Conimbriga tinha um bispo cristão.

A cidade foi decaindo. Mas, mesmo assim, ainda sobreviveu por mais de cem anos. De resto, os historiadores costumam sublinhar que, apesar dos mitos sobre o seu ardor guerreiro, os chamados bárbaros tinham, muitas vezes, mais vontade de assentar arraiais com a família do que de combater desnecessariamente.
Importa ainda considerar que, descontados à exceção dos casos de ataques-surpresa ou de traição, tomar de assalto uma cidade fortificada exigiria efetivos, tempo e máquinas de cerco que estes povos não possuíam.

Só em 589 a sede da diocese foi transferida cerca de 15 km para norte, para Aeminium, que não tardaria a ficar conhecida como Coimbra.
O facto de a antiga urbe romana ter caído quase no esquecimento e de a zona não ter voltado a ter grandes povoações (Condeixa-a-Velha surgiu na orla setentrional, em parte sobre o antigo anfiteatro e Condeixa-a-Nova desenvolver-se-ia ainda mais para norte) fez com que as suas ruínas ficassem bem conservadas, exceção feita a alguns roubos de pedra aparelhada para novas construções durante o século XIX.

As primeiras escavações

As escavações de Conimbriga iniciaram-se em 1928, tendo começado por ser estudada a área a noroeste do fórum. Em 1936, foi publicada a primeira obra para o grande público por Virgílio Correia que dirigira as primeiras campanhas arqueológicas.

Em 1939 era posta a descoberto a Casa dos Repuxos, bem como outras construções da zona extramuros. Em 1964, iniciou-se a grande campanha de escavações sob a direção de Bairrão Oleiro, Robert Étienne e Jorge de Alarcão, seguida da construção do Museu.
Para fazer a visita há vários itinerários possíveis, mas eis o que lhe sugerimos: passada a porta onde lhe verificam o bilhete, siga para sul por um caminho lajeado que evoca a estrada imperial de Olisipo (Lisboa) para Bracara Augusta (Braga).

Embora aviste quase em frente a famosa Casa dos Repuxos, deixe-a para o final da visita. Veja os vestígios de um edifício comercial com lojas e armazéns nas caves, depois destruído por ocasião da construção da muralha baixo-imperial. Prossiga, no exterior da muralha, admirando aquelas que foram duas casas nobres de habitação: a Casa da Cruz Suástica e a Casa dos Esqueletos.

Duas casas a não perder

Na primeira casa são notáveis os mosaicos coloridos do século III, tendo como um dos elementos decorativos principais a cruz suástica, com sentido de rotação oposto à recriada pelos nazis e correspondendo a um símbolo solar de boa sorte.
A segunda casa espelha, através da sua planta, uma extraordinária fidelidade aos cânones construtivos romanos. O nome resulta da circunstância de, na fase tardo-imperial, ter aqui existido uma necrópole.

O último ponto de interesse extramuros são as Termas da Muralha, do século I, abandonadas quando a cidade recolheu para o novo perímetro defensivo.
Passando para a zona intramuros e após as ruínas da basílica paleocristã (contemporânea da muralha baixo-imperial) veja a Casa de Cantaber, talvez a maior casa nobre de Conimbriga, com 80 m de comprimento por 40 de largura.

As Termas do Sul, o Fórum (grande centro cívico e principal espaço público da cidade, alvo de recente requalificação e consolidação) e o aqueduto (que vinha de Alcabideque a 3 km daqui, parcialmente em traçado subterrâneo) são as grandes atrações do espaço intramuros.

Repuxos cruzados

Contornada a muralha pelo lado oeste, termine a visita com chave de ouro, apreciando a monumental Casa dos Repuxos. Era uma moradia do século II, cujos mosaicos cobriam uma área de 600 metros quadrados. A justificação para o nome decorre dos jogos cruzados de cinco centenas de repuxos que rodeiam o lago do pátio (peristilo) central e cujo sistema hidráulico foi refeito segundo o esquema original.

Introduza uma moeda na ranhura e verá todo o conjunto a funcionar durante uns largos segundos. Acredite que, sobretudo num dia de calor, a sensação é inesquecível.
Feito o circuito, pode sempre passar pelo restaurante do Museu e gozar a calma da agradável esplanada virada para o canhão do Rio dos Mouros.


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