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Queijaria - Cheese Shop & Bar

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A primeira cheese shop da capital abriu no Chiado em setembro de 2014. Especializada em queijos artesanais, nacionais e internacionais, oferece também uma sala para degustações. Pode compor uma tábua de queijos a seu gosto e saborear o petisco no local, naturalmente com a companhia do vinho mais adequado.

Dia(s) de Encerramento: Segundas
Horário de Funcionamento: Das 10:00 às 20:00.
Morada: Rua do Monte Olivete 40
Código Postal: 1200 280 LISBOA
Tel: 213460474
E-mail: queijaria@queijaria.pt
Site: www.facebook.com/queijariacheeseshop
Distrito: Lisboa
Concelho: Lisboa
Freguesia: São Mamede

Queijaria – Cheese Shop & Bar


Queijos que não se esquecem


Nelson Jerónimo Rodrigues

O Chiado tornou-se o ponto de encontro dos melhores queijos europeus desde a abertura da primeira cheese shop & bar de Lisboa. Mas, mais do que um sítio para comprar e provar, este espaço é uma autêntica escola que nos ensina o bê-à-bá dos queijos artesanais. Quais as diferenças entre um Serra da Estrela, um Gruyère e um Stilton? Há truques para os cortar? E que vinhos combinam melhor com eles? A Queijaria explica-lhe tudo e ainda lhe deixa a faca e o queijo na mão.

Pergunta para queijinho: quais são os melhores queijos da Europa? A resposta cabe toda na Queijaria, a cheese shop & bar da Rua das Flores, na capital, que quer transformar os portugueses em verdadeiros apreciadores e mostrar-lhes que há vida para lá do flamengo, de longe o queijo mais consumido no nosso país. A missão está a cargo de Pedro Cardoso, antigo publicitário que conheceu o conceito noutras capitais do mundo e decidiu pô-lo à prova no nosso país em parceria com a mulher, Sandra Antunes.

Desde a abertura, em agosto de 2014, que mantém o mesmo compromisso: vender e servir apenas queijos artesanais - ou seja, os que têm mais qualidade -, daqueles que não se encontram nas prateleiras dos supermercados. Para isso, viajou por todo o país (de Azeitão aos Açores, passando pelo Alentejo e pelas Beiras) à procura dos melhores produtores nacionais e, no resto da Europa, entregou essa tarefa aos affineurs, espécie de intermediários que se encarregam de “afinar” os queijos durante o processo de maturação. Juntando uns e outros, o espaço conta já com meia centena de variedades de queijo, cada um com a sua personalidade e características próprias, como iremos descobrir mais adiante. Mas, para já, é tempo de conhecer os cantos à casa.

Pão, pão, tanto queijo…

Quem passa pelo número 64 da Rua das Flores dificilmente imagina que, para lá de uma fachada relativamente discreta, há mais de 250 metros quadrados dedicados ao queijo. O espaço está dividido em várias salas, a começar por uma mercearia que também vende outros artigos gourmet, como azeite, enchidos ou bolachas. Já os doces e as compotas têm direito a uma divisão própria, à direita, enquanto do lado oposto fica uma loja de utensílios relacionados com a cultura do queijo, como tábuas, fondues ou facas de todos os formatos e tamanhos. As de lâmina mais fina, por exemplo, são ideais para queijos moles (evitam que o queijo fique agarrado) enquanto os cutelos favorecem o corte de queijos mais maturados. Nesta sala vendem-se também algumas garrafas de vinho, ou não fosse ele uma das companhias preferidas do queijo.

Ao fundo, num canto, fica o paraíso dos apreciadores deste produto: uma sala com duas grandes estantes frigoríficas, cada uma com cerca de 25 variedades diferentes. A primeira reúne meia dúzia de queijos artesanais portugueses - como o Azeitão, o Serra da Estrela, o Amarelo da Beira Baixa ou o São Jorge, dos Açores – e outro tanto de queijos estrangeiros, com destaque para o britânico Stilton, o espanhol Manchego ou os franceses Pont l`Evèque ou Reblonchon. A cimeira de queijos continua na estante seguinte, onde têm lugar, por exemplo, os suiços Ermental e Gruyère, o Gouda holandês e o Pecorino italiano. Uns mais “cheirosos”, outros mais duros ou mais moles, mas todos artesanais e com qualidade aprovada por Pedro Cardoso, que além de vender a clientes particulares também fornece vários restaurantes de referência, alguns com estrela Michelin.

O maior e mais imponente espaço da Queijaria é ocupado pelo sala de provas, onde saltam à vista as colunas e o chão em pedra e os arcos do teto, além de uma película fotográfica, a preto-e-branco e em tamanho XL, que retrata a vida do queijo, desde a quinta e a ordenha até à loja. O toque de cor é oferecido pelas bases das mesas e por algumas cadeiras, enquanto o bar aparece forrado com caixas de vinho. Está montado o cenário para o momento mais aguardado da nossa visita: uma degustação de queijos que, a certa altura, se tornou uma autêntica aula gastronómica.

Do português suave ao britânico de sangue azul

A Queijaria não serve pratos convencionais (as saladas e os fundues são uma alternativa) mas é mais muito mais que uma casa de tapas e petiscos. Acredite ou não, podemos fazer uma refeição completa (e ficarmos saciados) apenas com queijo, pão e um copo de vinho a acompanhar. A prova está na degustação de cinco queijos (mais umas farripas de jamon de Buey espanhol) que nos serviram, autêntica viagem pelo mundo dos queijos que começa no menos forte e só termina no mais intenso.

As combinações podem ser inúmeras mas, no nosso caso, começámos por provar um queijo de cabra fresco, produzido em Portugal mas segundo o método francês do chèvre, que combina na perfeição com uma compota de framboesa. Depois de um morango desidratado (aconselhado entre queijos para limpar o palato) seguiu-se um Serra da Estrela mais amanteigado do que diz a tradição (defensora da pasta semi-mole) mas bem ao gosto do consumidor nacional. A subida de intensidade começa a fazer-se sentir desde o terceiro queijo, um Gouda holandês trufado, produzido com leite de vaca e cuja casca não é comestível.

A escalada de sabores prossegue com o Pecorino, um siciliano com leite de vaca e grãos de pimenta no interior, e termina em Terras de Sua Majestade com o Stilton, um queijo de personalidade (e intensidade) muito forte que se distingue facilmente pelas manchas azuladas. Nada mais, nada menos que o resultado da penicilina (boa, é claro) injetada no interior e que costuma alastrar a partir do centro. Para acompanhar, os dois primeiros queijos harmonizam bem com vinhos frescos e frutados, enquanto os outros dois pedem um vinho branco com notas de madeira ou um tinto (Dão, por exemplo) com alguma acidez. Já o Stilton fica bem na fotografia (e não só) com um bom Vinho do Porto. Say cheese…

03-02-2016
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