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Museu do Vinho da Bairrada

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Inaugurado em 2003, ocupa um edifício desenhado pelo arquiteto André Santos, com uma das fachadas laterais com amplas vidraças com vista para as vinhas. O espólio inclui artefactos que ilustram a evolução técnica da viticultura e testemunhos da história dos produtores da Bairrada. A exposição permanente, intitulada "Percursos do Vinho", distribui-se por seis salas temáticas.

Acessos: Em pleno centro da vila, nas imediações da Estação Vitivinícola da Bairrada.
Dia(s) de Encerramento: Segundas
Horário de visita: De terça a sexta, das 10:00 às 13:00 e das 14:00 às 19:00. Sábado e domingo, das 11:00 às 19:00.
Marcação prévia: Sim
Serviços disponíveis: Auditório; Mediateca; Biblioteca; Acesso internet; Acesso para deficientes; Enoteca; Loja de vinhos; Esplanada.
Título: Memórias vinícolas
Morada: Avenida Cabecinho
Código Postal: 3780 203 ANADIA
Tel: 231519780
E-mail: museuvinhobairrada@mail.telepac.pt
Site: www.cvbairrada.pt
Distrito: Aveiro
Concelho: Anadia
Freguesia: Arcos

Museu do Vinho da Bairrada


Confunde-se com um museu de arte moderna. Interactivo, divertido e didáctico. Venha conhecer a nova coqueluche da Anadia.


N'Dalo Rocha

Um museu de Arte Moderna?

É um prédio rectangular que foge ao estereótipo do caixote. Bem enquadrado no terreno, tira partido da inclinação natural do mesmo para ocultar com souplesse a sua enorme volumetria. André Santos, o arquitecto que o projectou, aprimorou-lhe as formas, rasgando-lhe uma janela aqui ou abrindo-lhe um pátio acolá. Resumindo, é bonito, e confesso que superou em muito as minhas expectativas, pois esperava encontrar um edifício bem mais modesto.

Subi a pequena rampa de acesso e entrei. Ao que parece, a ergonomia também não foi esquecida. Aqui os visitantes em cadeira de rodas podem circular perfeitamente por entre as alas do museu. Enfim, uma forma de democratizar o acesso à cultura que só peca por defeito por esse país fora em espaços idênticos.

Lá dentro, no hall, não pude deixar de reparar na decoração minimalista. Amplo, a área é limpa de qualquer referência vinícola, não havendo a mínima alusão a garrafas, cartazes publicitários ou barricas de carvalho. O único elemento que se relaciona com o vinho fica no exterior e vê-se através das janelas. São as vinhas da Estação de Vinicultura da Bairrada.

De volta ao interior, notei que os tectos são altos e casam bem com os grandes janelões, permitindo que a luz penetre iluminando os salões. Por vezes, a perspectiva do olhar dava-me a sensação de que os corredores se estreitavam, afunilando-se. Pura ilusão óptica.

Curiosamente esta ausência de simbologias, dificultou-me identificar o espaço como se exclusivamente de um museu de vinho se tratasse. Para mim, estava num foyer de um teatro moderno ou talvez nalguma galeria de arte.

Nas restantes salas fui inspeccionar as fotografias a preto e branco de Duarte Belo e confesso que gostei. Retroescavadoras, estradas de terra batida, vinhas, floresta, igrejas da Anadia ou a linha do Norte, foram alguns dos exemplos que observei. Imagens bem definidas que se enquadram perfeitamente no tema a que a exposição se subordina. E para terminar o andar, fui espreitar os “Monólogos da Memória” do também fotógrafo Rui Xavier. Trata-se de um delicioso levantamento antropológico com as gentes da terra. Ao todo, são 25 os depoimentos de pessoas diferentes nas suas origens sociais, mas unidas por um diapasão comum: o vinho e a região da Bairrada. E tudo isto gravado em formato de vídeo com menos de três minutos cada. Os entrevistados permanecem de pé, imóveis como manequins, enquanto a sua voz se sobrepõe, contando alguma história do passado. Assim vi enólogos, vinicultores, tanoeiros, enxertadores e podadores que ali deixaram o seu testemunho, mas não só. Nos vídeos também há trabalhadores rurais, actrizes de teatro locais, músicos e até um criador de cavalos com 95 anos que se lembra com nostalgia das vindimas que existiam há 70 anos atrás.

2004-02-23
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