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CIBA - Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota

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O Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota, inaugurado em 2009, é um projecto de salvaguarda e valorização do Campo Militar de São Jorge, instalado no local onde se travou, em 1385, este episódio decisivo da história de Portugal. Colocando as novas tecnologias ao serviço da investigação arqueológica, o espaço apresenta esta batalha através de um modo atractivo, que conta também com duas áreas expositivas e um auditório para projecção de um espectáculo multimédia onde se reconstitui a batalha. Apresenta também serviços educativos, cafetaria e loja.

Acessos: Ao Km 109,5 da Estrada Nacional 1 e 3 Km a sul do Mosteiro da Batalha.
Dia(s) de Encerramento: Segundas
Horário de visita: Horário de Inverno: de Outubro a Abril, todos os dias entre as 10h e as 17h30. Encerra à segunda-feira.
Marcação prévia: Para grupos superiores a 10 pessoas
Nº máximo pessoas por grupo: 25
Observações: Encerra 1 de Janeiro, 1 de Maio e 25 de DezembroPreço: adulto - 7€; Jovens - 3.5€; Crinaças até aos 5 anos de idade: gratuito.
Serviços disponíveis: Loja, Cafetaria, Serviço Educativo, Parque de Merendas
Título: Recriação da História
Morada: Campo Militar de São Jorge
Código Postal: 2480 062 CALVARIA DE CIMA
Tel: 244480060
E-mail: info.geral@fundacao-aljubarrota.pt
Site: www.fundacao-aljubarrota.pt
Distrito: Leiria
Concelho: Porto de Mós
Freguesia: Calvaria de Cima

CIBA – Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota


Por terras da portugalidade


Ana Filipa Picoto

A Batalha de Aljubarrota dispensa apresentações mas carece de algumas explicações. Símbolo da independência portuguesa face a Castela, surge como o culminar de um momento da história que, entre factos, personagens, mortes, traições e drama, tem muito de novelesco. Para desvendar este enredo fomos ter com quem mais sabe do assunto. Depois de uma viagem turbulenta, ela própria uma batalha contra a intempérie, chegámos a São Jorge onde está situado o Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota.

Há seis anos a contar mais de seiscentos

Foi no espaço ocupado pelo antigo Museu Militar que nasceu o CIBA. O edifício original, da autoria de Bruno Soares, foi remodelado e ampliado pelo mesmo ateliê. Hoje apresenta uma área total com perto de 2 mil metros quadrados.

O CIBA abriu ao público em 2008 em consequência da recuperação do campo de São Jorge, onde se desenrolou a batalha, em 1385, e não em Aljubarrota, como se poderia pensar. A Fundação Batalha de Aljubarrota, criada por António Champalimaud, quis associar a um local histórico um centro onde o público pudesse conhecer ou aprofundar, de forma inovadora, aquele que é considerado um dos momentos mais ilustres da entidade lusitana.

Uma visita completa e sem limitações de horário ao CIBA leva cerca de duas horas e meia mas facilmente se passa ali uma manhã ou uma tarde inteiras. O centro propriamente dito divide-se em três núcleos. A isto acresce o campo de São Jorge cuja totalidade do percurso não chega a dois quilómetros.

O Espaço e o Tempo

No átrio do CIBA acolhem-nos as palavras de Camões, Fernão Lopes e José Gomes Ferreira. As frases, pintadas no chão, dão o mote para aquilo que se espera ser, literalmente, uma experiência histórica.

Neste primeiro núcleo o protagonista é o fosso arqueológico descoberto em 2003, enquanto decorria a construção do edifício. Com 40 metros de extensão, e prolongando-se para o exterior, este é um exemplar perfeito dos fossos construídos pelo exército liderado por Nuno Álvares Pereira.

Ainda hoje restam muitas dúvidas sobre o momento em que estes sistemas defensivos, juntamente com as covas de lobos, terão sido construídos – se antes da batalha, se no próprio dia ou se já no pós combate a fim de evitar novos ataques castelhanos.

O objectivo desta primeira ala é enquadrar no espaço e no tempo a Batalha de Aljubarrota. Para isso recorremos ao quadro onde está indicada a morfologia do terreno, muito bem aproveitado pelo líder do exército. E assim se explica como um exército de 2 mil homens conseguiu derrubar outro com mais de 40 mil integrantes…

Para melhor se entender este quadro há um ecrã táctil com animações que nos explicam as movimentações dos exércitos, o campo de batalha e o espaço em redor de São Jorge, como o castelo de Leiria ou o de Porto de Mós. Todas as animações são aéreas e em 3D tornando muito fácil a visualização e perceção de todos pormenores.

Ao fundo da sala encontramos ainda diversos ecrãs que fazem o enquadramento económico-social à época. Explicam-nos o declínio do feudalismo na Europa, a devastação causada pela peste negra e a crise dinástica em Portugal, com a morte de D. Fernando, que viria a ter o seu expoente máximo com a Batalha de Aljubarrota.

Os conteúdos são claros e concisos, tanto visualmente com no formato áudio. Isto porque toda a visita, em todos os núcleos, pode ser acompanhada por áudio guias muito fáceis de usar. O preço é de 3€ (para duas pessoas).

Visto este primeiro núcleo, que pode ser visitado gratuitamente pelo público, passamos para a estrela do CIBA – o espectáculo multimédia. Para isso já terá que adquirir um bilhete que custa 7€ (3.5€ para crianças dos 6 aos 12 anos) e que lhe dará também acesso ao resto da exposição.

A Batalha Real

Durante algumas décadas a Batalha de Aljubarrota foi conhecida como a Batalha Real uma vez que opunha dois reis na disputa de um mesmo trono. Por que razão se passou então a dar este nome a um combate que nem sequer decorreu nesse local mas sim a dez quilómetros dali, em São Jorge? Surpreendentemente, a resposta está relacionada com um cronista castelhano, Pero Lopez de Ayala mas a lenda associa também este momento histórico à padeira de Aljubarrota.

A experiência proporcionada pelo espetáculo multimédia é emocionante. Do chão ergue-se um livro gigante que começa a contar a história. O narrador é Fernão Lopes que vai relatando os factos a partir da sua Crónica de El-Rei D. João. Ao longo de 30 minutos somos como que enfeitiçados por um relato emocionante, dramático e intenso da Batalha de Aljubarrota.

Facto ou Ficção?

A visita ao CIBA prossegue para o 3º núcleo. Chama imediatamente a atenção uma impressão gigante da edição de 21 de março de 1959 do Comércio do Porto onde é noticiada a descoberta de fortificações militares no campo de São Jorge. A expedição arqueológica, orientada por Afonso Paço, viria ainda a descobrir uma vala comum, junto à capela, com 2874 ossos que revelavam ferimentos provocados por virotões e flechas disparados por arcos e bestas. Ossos, portanto, pertencentes a combatentes dos dois lados. Alguns desses exemplares estão aqui em exposição devidamente enquadrados em ecrãs onde passam animações que explicam o tipo de ferimento e a forma como foram feitos.

Ainda na mesma sala são-nos apresentados os cronistas que escreveram sobre Aljubarrota. Também esta secção da exposição está apoiada com ecrãs tácteis onde os interessados podem ler mais acerca das obras, inclusivamente excertos das crónicas.

Agora sim, eis-nos no espaço dedicado às armas usadas na batalha. É possível experimentar um arco, pegar numa besta, colocar na cabeça um capacete medieval (com cerca de 5 quilos) e empunhar uma espada. Obviamente, tudo réplicas mas que nos remetem para outros séculos.

A exposição termina com uma frase de Luís de Camões que evoca o início da epopeia dos descobrimentos. Depois do inimigo vencido em terra, restava a Portugal partir em conquista do mar.

No Campo da Batalha

Em dia de chuva forte e vento severo fomos abençoados com uma aberta. Foi a altura certa para percorrermos o campo da batalha. Poucos metros depois de termos saído do CIBA encontramos o primeiro dos quatro cronotelescópios instalados no campo.

Estes equipamentos permitem-nos obter uma perspectiva mais concisa da localização da frente de batalha, liderada por Nuno Álvares Pereira, e da retaguarda, sob o comando de D. João I, para além do posicionamento do exército castelhano nos dois ataques distintos.

Seguimos em direção à Capela de São Jorge e pelo caminho passamos pelo local onde se homenageiam alguns dos principais intervenientes na batalha cujos nomes estão inscritos em pedras no chão.

Já na capela, de portas fechadas, destaca-se na fachada um cântaro de barro. Terá sido ali mandado colocar por Nuno Álvares Pereira para que nunca faltasse a água a quem por ali passasse. Foi aliás o líder do exército que mandou erguer o templo em honra da Virgem Maria, de quem era devoto, e que terá protegido os portugueses durante a batalha.

É ao fundo do campo, cerca de 200 metros para lá da capela, que damos com as covas de lobo. À primeira vista quase que passam despercebidas mas para lá da cerca é visível no chão este sistema defensivo, protegido por lajes, que motivou a classificação do campo, em 2010, como Monumento Nacional.

Invertemos o caminho e vamos em busca do monumento a D. Nuno Álvares Pereira, erguido em 1960. O percurso que nos leva ao parque dos engenhos medievais é muito agradável. Trilhado no meio dos pinheiros, faz-nos abrandar o ritmo e inspirar bem fundo. Um local para conhecer em qualquer dia do ano uma vez que este espaço pode ser visitado sem exigência de bilhete. 

200 metros depois lá nos deparamos com os tais engenhos oriundas da idade média, réplicas à escala real de uma besta, de um guindaste de roda e de um trabuquete que era usado para arremessar pedras de grande dimensão contra as fortificações.

No regresso ao centro vemos o parque de merendas mas hoje, e devido ao mau tempo, optamos por comer qualquer coisa na cafetaria do CIBA. Com bancos corridos, a lembrar outros tempos, serve refeições ligeiras mas também algumas especialidades medievais como uma empada (inspirada na tradicional “pie” britânica) de carne e legumes. Antes de ir embora, uma breve passagem pela loja onde se destacam os fatos da época para os mais pequenos.

À saída voltamo-nos a cruzar com a frase de José Gomes Ferreira, retirada de As Aventuras de João Sem Medo – “É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir”. Na verdade, o que mais nos espanta é como tantas vezes nos esquecemos do país grandioso que somos.

2014-11-26
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