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Sabores de verão prolongados no outono

Há muito que setembro é o mês preferido de Margarida, a autora do blogue Pano Pra Mangas. Com ele chega também o Outono, o arrumar da roupa fresca e as compotas que deixam os mais gulosos de água na boca. É o seu caso? Então veja a receita que ela nos traz.


Setembro anuncia a novidade. Por muito que celebremos a chegada do ano em Janeiro, na realidade regemo-nos pelo calendário escolar, e o princípio dos princípios é mesmo o agora. Há muito que é o meu mês preferido – por todas as razões possíveis e imaginárias. Quando era miúda a novidade dos livros escolares e do ritual de os forrar era uma alegria. Os cadernos eram também forrados com recortes de revistas e – “obrigatoriamente” – a primeira página recebia as honras de um desenho de acordo com a disciplina a que se destinava.

Com Setembro chega, igualmente, o Outono – ou pelo menos chegava...porque agora há semanas em que a temperatura durante o dia não é muito diferente da que se faz sentir em Julho, pelo menos a Sul. Confesso que já me sabia bem arrumar as sandálias e arquivar os vestidos frescos para encher o roupeiro e as gavetas de malhas, cachecois e casacos quentes...

Por outro lado é também o fechar de um ciclo: praia, sol, mais tempo livre para a familia e para os amigos (mais que não seja pelo facto de os dias serem maiores), tardes que não querem ser noites, esplanadas e sabores frescos rematados com frutas de polpa doce e sumarenta.
E aqui chegam os primeiros sabores de Outono.

A vontade de prolongar estes sabores faz-nos transformar as frutas em compotas que, com jeito (e alguns frascos escondidos) conseguem chegar ao Natal para oferecer aos amigos mais chegados – por “pouco” que possa parecer não há maior prova de amizade, carinho e amor que um presente que nos sai das mãos, da alma e do coração. As tardes de Domingo são passadas a preparar a fruta: descascar, tirar caroços, retirar o excesso de água e, por fim, deitá-la no tacho onde o açúcar a espera para um relacionamento prolongado. Acompanha-a, também a canela que a vai aromatizar e na berma do tacho descansa a colher de pau que, de quando em quando, envolve os ingredientes numa sintonia perfeita. A casa enche-se de aromas quentes e doces que despertam a curiosidade e o palato de quem passa por perto. A vizinha espreita curiosa, na esperança de provar o que se passa na cozinha, mas ainda é cedo e o ritual das compotas tem de ser vivido com a calma de quem apura sentimentos.

Só de escrever fico com água na boca e como não quero que fiquem no mesmo estado, partilho convosco a receita base que conheço em casa, desde sempre:
1kg de fruta fresca, sem pele, sem caroços ou graínhas e escorrida (ananás, morangos, alperces, figos, tomate, melão...); 500g – 750g de açúcar amarelo; 1 ou 2 paus de canela

Num tacho coloca-se o açúcar, a fruta e a canela. Deixa-se ferver a mistura em lume brando até ganhar a consistência pretendida. Et voilá!
Caso não queiram ter este trabalho todo, não gostem da casa com aromas quentes e doces há uma outra solução: a prateleira das compotas do supermercado mais próximo.

 

A autora e o blogue
Inseparável da máquina fotográfica e do bloco de apontamentos, quando não anda em trânsito Margarida Vargues vive em Faro. Professora de Inglês de formação, tem uma mente irrequieta que a faz querer saber um pouco de muitas coisas, criou o blogue Pano p’ra Mangas em 2005 para mostrar os seus trabalhos manuais e outras ocupações das horas livres. Em 2012 foi para Londres onde ficou um ano e meio. Regressou ao Algarve onde vive mas alimenta o desejo de viver no Porto. O seu tempo é passado entre livros, aulas de ballet, marketing digital e o seu mais recente projeto como wedding planner.
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Margarida Vargues | Pano Pra Mangas 2016-09-29