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Roteiro de Setúbal

A cidade e a serra

Onde o Sado termina e a Arrábida começa há uma cidade luminosa que vive do contraste entre as avenidas largas e os bairros de pescadores, as raízes alentejanas e a proximidade da capital, os nomes ilustres e as gentes do povo que carregam nos erres. Abençoada pela Natureza, tem vistas de rio, mar e serra e ares que abrem os pulmões… e o apetite. Antes de partir à descoberta fique com um cheirinho do melhor de Setúbal.

Se juntarmos uma topografia amiga dos turistas (quase sem subidas e descidas) a uma zona histórica cheia de ruas pedonais facilmente concluímos que a melhor forma de descobrir Setúbal é caminhando. O carro pode (e deve) ficar estacionado durante todo o trajeto urbano e só terá de ser resgatado quando chegar a altura de conhecer a serra e as praias da Arrábida. Mas cada coisa a seu tempo. Para já… pernas para que te quero.

No coração da cidade

O Miradouro de São Sebastião, sobranceiro à marina e ao início da Avenida Luísa Todi, é um bom ponto de partida para qualquer passeio por Setúbal. Desde logo pelas vistas largas que oferece – rio, mar, serra e casario juntam-se no mesmo cenário – mas também por estar rodeado de, pelo menos, três locais de visita obrigatória: a Casa Bocage, onde nasceu o poeta, a Igreja seiscentista de S. Domingos e o Museu do Trabalho Michel Giacometi, situado numa antiga fábrica de conservas, das 160 que a cidade chegou a ter.

Passando a Porta de São Sebastião chegamos à Rua Arronches Junqueiro e ao que resta do antigo burgo medieval. Passear por aqui é descobrir a faceta mais bairrista das gentes de Setúbal, tão orgulhosa dos erres que carregam nas palavras, como do Vitória de Setúbal ou do mais recente filho pródigo da terra: José Mourinho. No meio deste labirinto (fletindo numa das transversais à direita) descobrimos a Igreja de Santa Maria, atual Sé Catedral, e a Casa do Corpo Santo, que em tempos foi a sede da Confraria dos Navegantes e Pescadores de Setúbal.

Depois do aconchego dos largos da Misericórdia e da Ribeira, a Praça do Bocage revela-se mais opulenta e vaidosa. Os cafés e as esplanadas são o ponto de encontro preferido dos habitantes locais enquanto os turistas passeiam de um lado para o outro, ora fotografando a estátua do poeta, ora visitando a igreja de São Julião, ora admirando os trabalhos de Raul Lino no edifício dos Paços do Concelho. E daqui seguem para um outro ex-líbris da cidade, o Convento e Igreja de Jesus, grandioso monumento que começou por ser herdeiro do traço gótico e mais tarde se tornou símbolo do manuelino em Portugal.

Arte, arquitetura e compras na avenida

Cinco séculos e outros tantos minutos separam o Convento de Jesus da Avenida Luísa Todi, a principal artéria da cidade e símbolo máximo (para o melhor e para o pior) do seu crescimento. Lado a lado com edifícios modernos e mais ou menos incaracterísticos encontramos algumas das principais jóias arquitetónicas sadinas. Seguindo no sentido inverso da anterior caminhada começamos por encontrar a Casa da Baia, onde atualmente funciona uma galeria de exposições, o posto de turismo e uma loja gourmet com queijos e doçaria tradicional.

Mais ou menos a meio da avenida vale a pena visitar o Mercado do Livramento (às bancas de sempre juntam-se agora novos espaços comerciais) e a Galeria Municipal, instalada no antigo edifício do Banco de Portugal. Se a fachada não deixa ninguém indiferente o interior impressiona ainda mais, sobretudo pela riqueza dos retábulos trazidos do Convento de Jesus. Já os apreciadores de arte contemporânea vão gostar de conhecer a Casa da Avenida, antiga residência familiar que agora serve de lar e incubadora a vários projetos artísticos.

E porque falamos de cultura convém não esquecer ainda o Forum Municipal Luísa Todi, há muito a principal sala de espetáculos da terra, que herdou o nome da célebre cantora lírica do século XIX
nascida em Setúbal.

Peixe (e cenários) à discrição

Por esta altura, o cheiro do peixe grelhado e do choco frito já tomaram conta da cidade por isso seguimos em direção ao Sado, onde não faltam restaurantes com fama e proveito. Antes do repasto, uma breve passagem pelo Jardim da Beira-Mar, agradável zona verde  que simboliza a aproximação dos setubalenses ao rio. Tarefa difícil, ou não fosse esta uma zona dominada por armazéns e outros espaços (algo decadentes) ligados aos ofícios do mar.

O que se perde em acessibilidade ao rio ganha-se em frescura nos restaurantes, como podemos comprovar no Bombordo, um clássico na cidade que iniciou a moda dos rodízios de peixe. E o mesmo se pode dizer de outras casas vizinhas muito concorridas, como O Ramila, O Casa do Mar ou O Miguel, em frente ao porto de pesca. Depois da refeição vale a pena dar um salto até esta zona para admirar o colorido dos barcos (na água) e dos golfinhos (em terra) que decoram o passeio pedonal em frente.

O nosso roteiro pela cidade aproxima-se a passos largos do final, coroado com chave de ouro pelo Forte de São Filipe, cujo acesso  íngreme aconselha o regresso ao automóvel. É deste forte renascentista, entretanto adaptado a Pousada de Portugal (encerrada para obras) que alcançamos as melhores vistas para Setúbal e para toda a região envolvente, da Península de Troia à Arrábida. E a serra já chama por nós… 

Do mar ao alto da serra

A melhor despedida de Setúbal faz-se pela estrada rente ao mar que nos leva até ao Portinho da Arrábida, em pleno Parque Natural. A partir daqui não faltam pretextos para fazer uma paragem, a começar pelo Parque de Merendas da Comenda, mas são as praias que mais deslumbram os visitantes, cada uma com o seu encanto próprio. Se a Figueirinha é ideal para famílias (o areal fica mesmo à beira da estrada), Galapos e Galapinhos ganham o prémio de mais românticas e a dos Coelhos de segredo mais bem guardado.

Já no Portinho da Arrábida percebemos  por que razão este recanto serve tantas vezes de postal ilustrado à região. Ao mar cristalino e ao verde da serra junta-se também um punhado de casas e um par de restaurantes, tudo vigiado de perto pelo Forte de Santa Maria da Arrábida, atual morada do Museu Oceanográfico. Por aqui se percebe que, afinal, Homem e Natureza podem estar em uníssono. 

Que o digam os antigos monges franciscanos do Convento da Arrábida, escondido entre o arvoredo na vertente sul da serra, desde então um local privilegiado para retiros e reflexões. Depois de mar, a Arrábida toca agora os céus de olhos postos em Setúbal. A cidade do Sado não podia estar melhor abençoada.

Roteiro de Setúbal

www.visitsetubal.com.pt

Distância de Lisboa:  50 km
Percurso recomendado:  A2, A12
Custo das portagens:  1.85€

Distância do Porto:  250 km
Percurso recomendado:  A1, A12
Custos das portagens: 23.35€