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Roteiro das Aldeias da Saudade

Regresso à terra dos avós

Longe da vista, mas perto do coração, várias povoações às portas do Gerês juntaram-se numa rede turística que promete resgatar os lugares e as memórias que o tempo esqueceu. O saudosismo puxou por nós e levou-nos à descoberta do Minho profundo, entre montes que tocam o céu e aldeias no fim da estrada. Pelo caminho dormimos na casa do lavrador, comemos os petiscos da avó é trocámos conversa com os pastores. No final, ficaram as saudades…

Mais do que um chamariz turístico, o nome Aldeias da Saudade assenta que nem uma luva a esta rede intermunicipal que reúne mais de três dezenas de alojamentos, distribuídos por 11 povoações de quatro concelhos: Amares (Ramalha e Urjal), Póvoa de Lanhoso (Carreira),  Terras de Bouro (Brufe, Covide, Cutelo, Stª Isabel do Monte)  e Vila Verde (Gondomar, Nogueira, Pequenina/Casais de Vide, Stº António de Mixões da Serra).

O projeto, lançado pela ATAHCA (Associação de Desenvolvimento das Terras Altas do Homem, Cávado e Ave) quer levar os visitantes até ao coração das aldeias, por mais remotas ou desconhecidas que sejam. Mas para descobri-las por completo não basta dormir nas casas de campo ou parques de campismo rural. É preciso saborear a gastronomia local, caminhar pelas ruas, desbravar trilhos e conversar com as pessoas, seja numas férias inteiras ou num par de dias, como foi o nosso caso. Muito ficou por conhecer, mas aqui está um aperitivo do que poderá encontrar nas Aldeias da Saudade.

Do Gerês à Serra Amarela

O concelho de Terras de Bouro serviu de ponto de partida a este roteiro de fim-de-semana e o Gerês, claro está, não podia faltar. Da vila ao Parque Nacional são pouco mais do que 15 quilómetros e, pelo caminho, encontramos a primeira aldeia da saudade do nosso passeio: Covide. Encaixada entre a serra, a mais de 500 metros de altitude, tem como principais riquezas a natureza e o património religioso, com destaque para a igreja matriz e para a Veiga da Santa, lugar associado à lenda de Santa Eufémia. No final da visita não deixe de subir até ao Outeiro do Rei e aprecie o belo cenário envolvente, feito de verde, granito e campos agrícolas.

A entrada no parque natural faz-se pela Porta de Campo de Gerês, onde visitamos o recente Museu da Geira, dedicado à via romana entre Braga e Astorga, e o Museu de Etnográfico de Vilarinho das Furnas, que recria o quotidiano da antiga aldeia, destruída pela barragem em 1972. Por vezes é possível avistar o que resta da povoação (há um caminho de terra batida desde o paredão) mas um pastor das redondezas disse-nos que o nível das águas não o permitia por isso preferimos ficar mais um pouco à conversa. No final, seguimos o conselho de quem conhece esta terra como ninguém e rumámos até Brufe, a montante da albufeira, já em plena serra Amarela.

Esta aldeia mantém muitas das suas ruas e casas em granito, envoltas num ambiente tipicamente rural onde não faltam os espigueiros, as eiras e os moinhos de água. Boa parte dos visitantes descobriu este lugar graças a um dos mais afamados restaurantes da região – o Abocanhado – que tanto impressiona pelas magníficas vistas para o vale do rio Homem como pela gastronomia tradicional, daquela que faz lembrar a comida da avó. Nós matámos saudades da tibornada, que não nos saiu da cabeça durante todo o caminho de regresso a Terras de Bouro, onde já nos espera a Quinta do Bárrio, acolhedor turismo de habitação situado numa propriedade agrícola cheia de história. Será lá, com vista para os pontinhos de luz das aldeias da Peneda,, que há de terminar o primeiro dia deste roteiro.

Fé, natureza e enamoramento

Reconfortados pelo sossego da Quinta do Bárrio mas sem tempo para experimentarmos a tentadora piscina da propriedade seguimos, sem mais demoras, para a aldeia de Santa Isabel do Monte. O caminho, (sinuoso e sempre a subir) e as vacas que passeiam pela estrada não permitem grandes pressas mas 15 minutos bastaram para chegarmos a Campo Abades, um dos lugares desta freguesia serrana. O nome deve-se a um antigo convento que por lá se fixou, a Casa dos Bernardos, hoje transformado em alojamento, também ele pertencente à rede das Aldeias da Saudade. A dois passos dali ficam a igreja matriz de Santa Isabel do Monte e um pitoresco moinho (de acesso mais difícil) que também merecem uma vista de olhos.

Já no concelho de Amares visitámos o santuário barroco de Nossa Senhora da Abadia, situado a meia encosta e rodeado por uma mata densa e verdejante que só é interrompida em Santa Maria do Bouro, a nossa próxima paragem. Aqui sobressai o secular mosteiro, adaptado a Pousada de Portugal (segundo o traço do arquiteto Souto Moura) que convida todos, hóspedes e não só, a cruzarem a porta principal e a descobrirem as belas vistas que o Pátio das Laranjeiras oferece.

Para chegarmos à última aldeia deste passeio – Urjal - foi preciso puxar pelo motor do carro (prepara-se para uma longa subida) sobretudo a partir de Chouselas, onde fica mais um belo alojamento divulgado pelo projeto da ATAHCA. Já no final do asfalto, aninhada entre a serra de Santa Isabel e o monte da Abadia, encontrámos uma povoação ainda habitada mas que parece ter parado no tempo, mantendo-se genuína e só ao alcance dos mais audazes. As Aldeias da Saudade são isso mesmo, uma rede turística que puxa pelas memórias e pelo coração até ficarmos perdidos de amores.

Roteiro das Aldeias da Saudade
Telf.: 253 321 130
http://aldeiasdasaudade.pt

Distância de Lisboa:  400 Km
Percurso recomendado:  A1, A11, N101, N205-3
Custo das portagens: 24.50€

Distância do Porto: 85 Km
Percurso recomendado:  A3, A11, N101, N205-3
Custos das portagens: 3.25€