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Descobrir Ponte de Sor

Terra nobre com alma de camponesa

É aqui que o Ribatejo se despede e o Alentejo abre os braços aos visitantes. À sua espera está uma cidade tão serena como a Natureza que a rodeia, com florestas de sobreiros a perder de vista e uma barragem que é um mar de sossego. E tudo começou apenas com uma ponte... 

De uma antiga travessia romana nasceu o nome para esta tranquila cidade onde o rio Sor rompe a planície alentejana. Junto a ela foi crescendo uma povoação que durante séculos trabalhou as terras de várias ordens militares e cuja dedicação ao trono lhe foi valendo sucessivas regalias reais. Hoje, o seu património é testemunha de tão nobre herança e, de quando em quando, ainda se consegue encontrar o símbolo da coroa portuguesa, orgulhosamente cravado no branco das paredes caiadas. 

Mas se o corpo é fidalgo, a alma, essa, continua a ser moldada pelo campo, como tão bem se revela no carácter das gentes matuzarenses, designação herdada do tempo em que os romanos chamavam “Matus Grossos” a estas paragens. Da ponte primitiva já não sobram vestígios, mas a actual (construída no século XVIII) continua a ser um dos ex-líbris locais. Nada melhor, por isso, que começarmos o nosso passeio debaixo das suas arcadas. Junto a elas está outro símbolo local – a Fonte da Vila – que, diz o povo, quem da sua água beber, ficará para sempre enamorado por esta terra. 

A travessia do Sor define também a divisão entre duas faces distintas do concelho. Na margem direita estende-se uma paisagem tipicamente rural, dominada por campos agrícolas e sobreiros, enquanto na outra surge-nos um moderno parque ribeirinho com esplanadas, piscinas e outras zonas de lazer. Daqui ao largo da igreja matriz são dois passos. Verdadeiro coração da cidade, é à sua volta que tudo acontece, mas sempre com a pacatez habitual do Alentejo. E nem lá falta o típico grupo de homens (há muito com lugar cativo naqueles bancos vermelhos) para dar as boas vindas aos forasteiros… 

Fé e gastronomia

O templo domina a praça. Construído no século XVII e reconstruído mais tarde depois de um violento incêndio, já não revela a riqueza original, embora ostente ainda um belo altar dourado que prende o olhar. 

Já as outras capelas da cidade – como a de São Pedro ou a do Senhor das Almas – têm fachadas simples e despretensiosas, mas o seu interior está quase sempre no segredo dos deuses porque é raro encontrá-las de portas abertas. Entre o património local destaca-se também o edifício do Cine-Teatro e o Centro de Artes e Cultura, situado numa antiga fábrica de debulha de arroz, que hoje alberga vários espaços culturais, como uma biblioteca, um museu e alguns ateliês de arte. 

No local existe também um restaurante de decoração e cozinha contemporânea - o Fábrica do Arroz -, que contrasta com os outros (mais típicos e tradicionais) que predominam na cidade. O Gato Preto, o Olivença ou o Padeiro, por exemplo, são do melhor que existe na região e os seus pratos generosos e genuínos fazem jus à fama que receberam.

Para terminar o nosso passeio pelas ruas da cidade, nada melhor que sentarmo-nos, então, à mesa e apreciarmos a gastronomia típica da região, como a sopa de cação, as migas, as plumas de porco preto ou os doces conventuais. E para beber, é sempre bem-vindo um vinho alentejano. 


Descobrir Ponte de Sor

Distância de Lisboa: 140 km
Percurso recomendado: A12, IC3, N119

Distância do Porto: 276 km
Percurso recomendado: A1, A13, A23, N2
Custos das portagens: 37€