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Tabik Restaurante

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Em plena Avenida, abriu em fevereiro de 2015. A decoração é inspirada na recriação dos materiais utilizados em Lisboa após o terramoto de 1755 e tem a assinatura da Ipotz Studio. O espaço divide-se em três áreas distintas: zona de receção para refeições durante o dia, zona de bar (uma área dedicada aos vinhos e outra aos gins) e uma ampla sala interior que se divide em espaços mais pequenos para jantares de tom mais intimistas. A cozinha está a cargo do Chefe Hugo Dias de Castro.

Dia(s) de Encerramento: Domingos
Preço Médio: 40.00
Tipo de Restaurante: Mediterrânica, Cozinha de autor
Horário de Funcionamento: Cozinha: das Das 12:30 às 15:00 e das 19:30 às 22:30. Sexta e sábado até às 23:00Tabik Bar: das 12:30 à 01:00. Sexta e sábado até às 02:00.Tabik Garden: das 17:00 às 23:00
Morada: Avenida da Liberdade 29A Hotel BessaLiberdade
Código Postal: 1250 139 LISBOA
Tel: 213470549
E-mail: info@tabikrestaurant.com
Site: www.tabikrestaurant.com
Distrito: Lisboa
Concelho: Lisboa
Freguesia: São José

Tabik - Lisboa


As múltiplas faces da sofisticação


Nelson Jerónimo Rodrigues

Que tal um James on fire ao balcão, um entrecôte à mesa e um gin à beira da piscina?  O Tabik junta um bar, uma sala de jantar e um jardim (quase) secreto, cruzando gastronomia de autor e cocktails, enquadrados por construções pombalinas e quadros de Velásquez e Caravaggio. Para cada espaço, há um conceito e um ambiente próprio mas o detalhe e o estilo são uma constante, seja na decoração, no empratamento ou até no look dandy dos barmans.

Como um puzzle bem montado, no Tabik tudo encaixa na perfeição desde as primeiras peças: o nome joga com a decoração, a decoração com o ambiente, o ambiente com a clientela, esta com a ementa e por aí adiante. O todo é mais que a soma das partes mas cada uma delas parece ter uma razão de ser, a começar pelo batismo do espaço, inspirado no tabique (parede interior com grade de madeira) tão utilizado em Lisboa durante as construções pombalinas. O conceito do restaurante acrescentou-lhe um “k” enquanto a arquitetura e o design juntaram-lhe vários materiais inspirados naquela época, como as gaiolas pombalinas e as vigas de madeira no teto.

Estes marcam presença logo no primeiro espaço, uma área virada para a Avenida da Liberdade que é utilizada sobretudo para cozinha de partilha, onde também sobressaem outros elementos do passado, como o chão hidráulico e réplicas (em formato gigante) de Velásquez e Caravaggio. Ali ao lado, dois convidativos bares - um dedicado aos vinhos e o outro especializado em cocktails - mostram-nos que o Tabik é mais que um simples restaurante. Entretanto, já o barman de estilo dandy (e maçarico em riste) já nos prepara um dos clássicos da casa: o cocktail James on fire, idealizado pelos mixologistas Nuno Figueiredo e David Rodrigues e composto por Jameson fumado, shrub de pêssego avinagrado, xarope de açúcar e limão. Enquanto o copo arde (não se assuste, é mesmo assim) vamos conhecendo o resto da casa.

Entre as áreas mais nobres do restaurante está a sala principal de refeições, uma zona ampla que pode ser dividida (através de telas) em pequenas salas mais recatadas e intimistas. Além da proximidade da cozinha (pode espreitar à vontade) sobressaem igualmente algumas áreas verdejantes que fazem a ligação para o espaço que se segue: o Tabik Garden. Situado nas traseiras do edifício, este jardim vertical com bar e piscina, é um dos segredos mais bem guardados de Lisboa e também tem o seu quê de exclusividade já que apenas costuma ser utilizado pelos clientes do restaurante e pelos hospedes do Hotel Bessa Liberdade, a funcionar no mesmo prédio. E que privilegio é ter um pequeno oásis bem no centro da capital.

Estilo, criatividade e sabor

Tal como acontece no espaço, o detalhe e a modernidade também estão omnipresentes na carta. Esta foi idealizada por Manuel Lino, chefe de 28 anos que regressou a Portugal para abrir o Tabik (em 2015) depois de ter passado por afamadas casas de Espanha, como o El Celler de Can Roca (3 estrelas Michelin) ou o Mugaritz (2 estrelas Michelin). Embora esteja de partida para um projeto próprio – o restaurante Trio – continua como consultor do restaurante e deixou a cozinha em boas mãos, agora liderada por Hugo Dias de Castro, que passou por restaurantes como o Tavares Rico, Gusto by Heinz Beck e The Kromme Watergang (2 estrelas Michelin).

Apesar de ter muito de alta cozinha, como as técnicas e a maquinaria avançadas, o Tabik distingue-se, sobretudo, por servir uma cozinha criativa mas descomplicada e descontraída, fazendo jus a um dos lemas da ementa: “a comida deve ser divertida”. E isso verifica-se tanto nos menus à la carte ou de degustação como no executivo, disponível aos almoços (de segunda a sexta-feira) por 19,90€. Este varia todas as semanas, mas no dia em que passámos por lá saltou-nos à vista a salada verde com falafel e pickle de cebola, o ceviche com citrinos e guacamole, o peixe do dia com sucos de caldeirada e coentros e a desconstrução de After 8 (sobremesa).

No menu à carta os pratos tornam-se um pouco mais elaborados, como se percebe em várias entradas, caso do tártaro de novilho, espuma de côco e chalotas doces e picante ou do couscous com legumes grelhados e o ceviche de peixe do dia. Já entre os pratos principais salta à vista o entrecôte com batata doce e coração de alface, mas se quiser provar os preferidos do chefe opte entre o leitão com cevada e puré de maçã, o polvo grelhado com rosti e puré de cebola ou o lombo de bacalhau com favinhas estufadas. Na lista de sobremesas, a piña colada e a torta de cenoura com mousse de chocolate branco e gengibre prometem surpreende-lo. Para uma experiência total, nada melhor que experimentar o menu de degustação – entrada, prato principal e sobremesa – mas nesse caso o preço sobe para os 40 euros, sem bebidas. Se é apreciador de vinhos dificilmente vai resistir à extensa e variada lista de néctares com referências de todas as regiões nacionais.

Mais até que o estilo ou a moda, é a diversidade da oferta e a complementaridade entre a cozinha e os bares que tornam este espaço singular. Apesar de criativa, a gastronomia apoia-se sobretudo na solidez e na consistência, enquanto as bebidas (principalmente os cocktails) trazem um toque de irreverência e imprevisibilidade à oferta da casa. Poderá afinal o equilíbrio ser desconcertante? O Tabik prova que sim.


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2016-08-03
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