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Restaurante The Old House Lisboa

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A Old House é uma das marcas de restauração mais reconhecidas, conceituadas e ilustres da China. Abriu no Parque das Nações em julho de 2015. Serve mais de meia centenas de pratos, maioria da região de Sichuan.

Dia(s) de Encerramento: Não encerra
Necessidade de reserva: Aconselhável
Preço Médio: 25.00
Tipo de Restaurante: Chinesa
Horário de Funcionamento: Todos os dias, 12:00 às 15:00 e das 19:00 às 23:00.
Área para fumadores: Salas particulares
Morada: Rua da Pimenta 9
Código Postal: 1990 254 LISBOA
Tel: 218969075
E-mail: geral@theoldhouseportugal.pt
Site: www.facebook.com/theoldhouseportugal
Distrito: Lisboa
Concelho: Lisboa
Freguesia: Santa Maria dos Olivais

The Old House - Lisboa


A ilustre (e desconhecida) gastronomia de Sichuan


Nelson Jerónimo Rodrigues

Se acha que a cozinha chinesa deixou de ser novidade é porque ainda não conhece a da região de Sichuan. Embora seja uma das mais apreciadas a Oriente, por cá é um segredo bem guardado que poucos tiveram oportunidade de provar. Ou era, porque o restaurante The Old House, no Parque das Nações, enche uma carta inteira com os sabores intensos e os pratos coloridos desta gastronomia cheia de personalidade.

Rua da Pimenta nº 9. Dificilmente haveria morada mais apropriada para um restaurante que faz desta especiaria o ingrediente mais emblemático da sua cozinha. Embora pouco conhecida entre nós, a pimenta de Sichuan trouxe fama e proveito à gastronomia da região, não só na China, onde é a segunda mais apreciada (entre oito, logo a seguir à Lu) mas também no resto do mundo, sobretudo junto dos adeptos de comida mais picante e aromática. Em Portugal, os restaurantes chineses nunca lhe deram o devido protagonismo (talvez devido à sua “pujança”) mas desde o verão de 2015 que passou a ter um embaixador à altura: o The Old House.

A ideia partiu de dois chineses radicados no nosso país há mais de 20 anos – Jin Jiaqing e He Sha – que desafiaram outro sócio – Yang Cao – a expandir a marca Old House para fora da China, onde já detém outros 33 estabelecimentos. O nome manteve-se o mesmo e o espírito da casa também que, entre algum luxo e muita elegância, não abdica da autêntica gastronomia de Sichuan. Sem crepes chineses, arroz chao chao ou gelados fritos, algumas das “invenções” ocidentais excluídas da ementa desta casa tradicional, situada junto ao Jardim Garcia de Orta, no Parque das Nações, em Lisboa.

Lanternas, porcelanas e umas notas de ópera

Apesar da grande dimensão - 1000 metros quadrados distribuídos por dois pisos, onde cabem 180 pessoas - o The Old House soube criar vários espaços distintos, cada um com o seu ambiente e alma própria. A maioria das refeições é servida na sala principal, virada para a esplanada e para o Tejo, onde saltam à vista três ícones da cultura tradicional chinesa, omnipresentes em todo o restaurante: a porcelana azul e branca (símbolo de respeito e elegância), as antigas janelas de flores (em madeira rendilhada) e as lanternas vermelhas, que sobressaem ainda mais na divisão ao lado, - a Sala dos Candeeiros – sobretudo à noite, quando estão todas iluminadas. Se lá ficar, tente sentar-se debaixo de uma (dizem que dá sorte), o que não será muito difícil, tantos são os pontos de luz suspensos no teto.

Subindo ao primeiro piso encontramos cinco cabines (abertas) mais intimistas, decoradas com imagens da ópera de Pequim. Enquadradas entre o Tejo, dois grandes bonsais e outra montra com potes de porcelana, são ideais para jantares românticos mas costumam estar destinadas a clientes regulares ou mais exclusivos. Quer uma dica? Quando fizer a reserva de mesa (aconselhável na maioria dos dias) peça para ficar nesta área e talvez abram uma exeção para si. Se tiver sucesso, irá por certo impressionar a sua companhia.

Já os grupos maiores poderão ficar numa das várias salas privadas (ou semi-privadas) do restaurante. A primeira tem uma espécie de teto ondulante formado com telas de pano, enquanto as outras quatro, cujas paredes removíveis podem formar uma só (até 40 pessoas), evocam as estações do ano através de pinturas alusivas a cada uma. O cuidado deste restaurante com o requinte e a elegância estende-se, inclusive, às casas de banho, que parecem forradas a porcelana azul e branca. Mesmo que não precise, vale a pena passar por lá só para dar uma espreitadela.

Pratos frios, quentes e…explosivos

Quando consultar a ementa, com mais de 60 opções, não estranhe a ausência de entradas, inexistentes na tradição gastronómica chinesa. Segundo esta, seguida à letra pelo The Old House, a refeição deve começar pelos pratos frios, seguir para os quentes e terminar com os acompanhamentos, isto caso ainda haja apetite. Se desejar, poderá inverter esta ordem mas lembre-se que neste restaurante não servem arroz chao chao. Os mais parecidos são o arroz de soja com ervilhas e bacon ou o arroz simples, sem qualquer ingrediente (nem sequer sal), tal como é apreciado em Sichuan.

Outra nota importante tem a ver com a intensidade de cada prato, identificada na carta com o símbolo de uma malagueta. Se não encontrar nenhuma, o picante é pouco ou inexistente, mas se vir três prepare-se para ter um bule de chá sempre à mão (é mais eficaz que a água) porque poderá encontrar uma mistura explosiva. Em caso de dúvida, é só pedir ajuda aos empregados de mesa, vestidos com os tradicionais trajes chineses hanfu. Todos falam português, ao contrário dos 10 cozinheiros da casa, recrutados diretamente em Sichuan, que trabalham à vista de todos na cozinha aberta do piso térreo.

Começando pelos pratos frios poderá optar, por exemplo, pelos espargos extraordinários (o nome é mesmo assim), pela salada de algas chinesas, pela carne de vaca cozida com molho Brown ou pelo entrecosto agridoce. Há muito por onde escolher e o mesmo acontece nos quentes, onde vale a pena experimentar a carne de porco desfiada ou com dupla confeção, o choco com malagueta, o pato à Pequim (um dos poucos que não é de Sichuan) e o prato mais emblemático da casa: o peixe assado com molho picante. No final, a sopa kung fu (uma espécie de canja com chá verde) cai sempre bem e ajuda a confortar o estômago. E sobremesas? Na China não existe a tradição dos doces (privilegia-se a fruta) mas, a pedido de várias famílias, os responsáveis lá decidiram apresentar duas sugestões mais gulosas: o creme de manga com pomelo (fruta cítrica) e a União Perfeita, bolinhas com farinha de arroz recheadas com creme preto de sésamo. Exceções que confirmam a regra da casa, fiel à genuína cozinha chinesa, em particular de Sichuan. Esta Old House tem novos (e surpreendentes) sabores à sua espera.

2016-02-16
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