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Restaurante Casa de Pasto

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Projeto criado em dezembro de 2013 pelo chefe Diogo Noronha (ex-O Pedro e o Lobo). Em novembro de 2016, o chefe Hugo Dias de Castro assume o comando da cozinha. A Casa de Pasto, situado num primeiro andar no Cais do Sodré, pertence ao grupo Mainside, também responsável pela Lx Factory e a Pensão Amor, entre outros projetos. O conceito do restaurante é inspirado nas tradicionais casas de pasto lisboetas de finais do século XIX, inícios do século XX. O ambiente recatado da sala de refeições pretende recriar a atmosfera de uma casa de família. Evoca-se o característico restaurante de pequeno hotel, onde os fregueses faziam diariamente as suas refeições, sendo conhecidos pelos gostos e hábitos particulares. A aposta vai, assim, para uma "cozinha de época", com pratos de tacho, forno e grelha, com enfoque na comida de Lisboa à base dos produtos frescos e sazonais. No final da refeição, circula o tradicional carrinho de sobremesas.

Ambiente e decoração: Decoração revivalista, inspirada nas casas de pasto de finais do século XIX/inícios do século XX
Bar/Sala de espera: Bar e Sala de Espera
Dia(s) de Encerramento: Domingos
Especialidades: Sopa de farinheira, salsichas caseiras frescas, bochechas de porco preto com raiz de salsa e citrinos, ovos fritos escalfados com toucinho e marmelada
Horário de Encerramento: 02:00
Lotação: 60
Necessidade de reserva: Aconselhável
Preço Médio: 20.00
Tipo de Restaurante: Portuguesa
Horário de Funcionamento: De segunda a sábado, das 12:00 às 15:00 e das 20:00 às 23:00 (quinta, sexta e sábado até às 24:00).
Morada: Rua de São Paulo 20 1º
Código Postal: 1200 428 LISBOA
Tel: 213471397
E-mail: geral@casadepasto.com
Site: www.facebook.com/casadepasto.come
Distrito: Lisboa
Concelho: Lisboa
Freguesia: São Paulo

Casa de Pasto - Lisboa


Charme revivalista com sabores intemporais


Nelson Jerónimo Rodrigues

Situado no primeiro andar de um edifício pombalino, este restaurante recria um salão de jantar de finais do século XIX com ambiente e decoração a condizer. Um baú de recordações cheio de relíquias e objetos kitsch onde também não falta cozinha de época e outros pratos de tacho reinventados pelo chefe Diogo Noronha. De memória em memória se vai conquistando o paladar…

Quem guarda no imaginário um Cais do Sodré boémio, noturno e decadente, feito de marinheiros e bons vivants, talvez ganhe uma nova perspetiva depois de conhecer este restaurante da rua de São Paulo. Para lá de uma entrada discreta revela-se um espaço inspirado nas primeiras casas de pasto lisboetas (finais do século XIX/início do século XX), frequentadas por damas e cavalheiros de respeitável reputação. 

Logo à entrada existe uma antiga impressora, a pedal e manivela, agora utilizada para imprimir a ementa do dia. Um toque de originalidade a dar o mote para o resto do espaço, onde cada peça tem uma história e um propósito: compor um ambiente familiar e recatado, à imagem do que acontecia durante a mudança de século. Se alguns clientes (sobretudo os mais velhos) se lembrarem da casa dos avós não será mera coincidência…

Das relíquias às slot machines

O espaço mais nobre e imponente do restaurante é um salão de refeições à moda antiga com mesas e cadeiras recuperadas, cortinas de renda e uma lona em tons negros e dourados a imitar os tetos trabalhados. Pratos, animais em loiça e quadros com motivos religiosos (desde santos à Última Ceia) dão vida e colorido a esta acolhedora divisão, onde também não falta um bar retro.

Ao lado desta há mais duas salas. A primeira é forrada a chita e emoldurada com dezenas de pratos, cada um com o seu dito popular. Uma mesa estreita e comprida com tampo em mármore ocupa a maior parte da área, ideal para jantares de grupo que não excedam a dezena de pessoas. Já para uma refeição mais recatada ou romântica é aconselhada a última sala (com apenas duas pequenas mesas) onde salta à vista uma chaise-longue antiga e um cantinho com mais imagens de santos.  

Depois do sagrado, o profano surpreende-nos na entrada das casas de banho, decorada com três slot machines antigas que pertenciam a um dos donos da Mainside, grupo que além da Casa de Pasto também é promotor da LX Factory e da Pensão Amor. Mais um jackpot à vista?

Pratos de todos os tempos

Diogo Noronha, um dos mais promissores chefes nacionais (com provas dadas no restaurante Pedro e o Lobo) é o responsável pela carta. Esta não é propriamente uma cópia do que se comia há 100 anos mas apresenta vários pratos de época inspirados no antigo receituário nacional, ainda que reinterpretados ao gosto atual e sob técnicas avançadas. Não falta sequer um forno a carvão para dar aquele gostinho característico da gastronomia tradicional.

Depois do couvert, onde merecem destaque a manteiga de vaca do braseiro e o pão de bica (típico da Beira Baixa) vale a pena provar um dos acepipes (o rissol de camarão ficou aprovado) ou umas lascas de presunto e enchidos. Entre as sopas, a de farinheira justifica a fama que já ganhou, nas também há opções mais clássicas, como o caldo verde com chouriço. Quem preferir poderá seguir diretamente para os pitéus e iguarias, caso dos ovos fritos escalfados com toucinho e marmelada ou da torrada de polvo com tomate e alho assado.

A secção dos pratos principais está dividida em três: peixes, carnes e braseiro. Entre os primeiros há sempre um peixe do dia ou algo mais invulgar por estas paragens, como o xerém com lingueirão. Quanto às carnes, o mais difícil será optar entre uma perdiz estufada à portuguesa, umas salsichas frescas caseiras ou umas bochechas de porco preto com raiz de salsa e citrinos. Para estes e outros pratos há guarnições à escolha, desde esparregado a couves estufadas, passando pelo topinambo (espécie de tubérculo) grelhado.

Quem quiser provar o verdadeiro sabor do braseiro terá de escolher entre um dos sete pratos à disposição nesta secção como o bacalhau assado, o costeletão de vitela maronesa ou o polvo assado. Por fim, não deixe de experimentar (pelo menos) uma das tentações do chefe pasteleiro Clayton Ferreira, à vista de todos num carrinho de sobremesas antigo. Conseguirá resistir a um pão-de-ló de Alfeizerão, aos sonhos com chocolate ou ao pudim Abade de Priscos? 

Bebidas de todas as cores

Em matéria de bebidas, a lista de vinhos conta com cerca de 30 referências (algumas servidas a copo), com preços que vão dos 13€ do Titular Colheita (Dão, 2012) aos 35€ de um Quinta da Bacalhôa 2011. E a esta junta-se ainda a oferta de Portos, Madeiras ou moscatéis e, claro, a carta do bar, que exibe uma imensidão de gins, whiskeys, vodkas, cocktails e afins.

Uma boa forma de prosseguir a noite, pelo menos até às duas da manhã, hora em que a Casa de Pasto fecha portas. E depois? Basta atravessar a estrada e lá está a rua cor-de-rosa para receber os mais noctívagos.

2013-01-14
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