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Trans Serrano - Formação e Serviços na Natureza

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Empresa de desporto aventura que aposta no turismo activo na Serra da Estrela, nas Terras do Xisto e na Serra da Lousã. Do montanhismo à canoagem, são várias formas distintas de descobrir o coração de Portugal.

Período de Funcionamento: Escritórios: das 9:00 às 19:00.
Observações: Outros Contactos: 969 840 055; 961 787 772; 966 217 787; 966 423 677;Desenvolvem programas de Turismo Sénior e Colónias de Férias.
Modalidades: BTT, Canoagem, Escalada, Montanhismo, Orientação, Paintball, Passeios Pedestres, Rappel, Slide, Formação Vivencial
Morada: Bairro S. Paulo 13
Código Postal: 3330 304 GÓIS
Tel: 966217787
E-mail: geral@transerrano.com
Site: www.transserrano.com
Distrito: Coimbra
Concelho: Góis
Freguesia: Góis

Rota das aldeias de xisto na Lousã


A pé pela serra da Lousã porque de outra forma não se veria metade. Visita-se a central hidroeléctrica, percorre-se a levada e descansa-se em quatro aldeias construídas em xisto.


Paula Oliveira Silva

O encontro

Apesar do percurso ser feito por caminhos quase inacessíveis e como tal, praticamente desconhecidos, o ponto de encontro só poderia ser na parte mais turística da Lousã. O castelo, Monumento Nacional situado mesmo em frente à ermida de Nossa Senhora da Piedade é o local de partida para este desafio com D grande. A originária Lousã terá nascido aqui e a fortaleza levantada para travar a incursão dos sarracenos que vinham do Vale do Zêzere.

Começámos a andar e assim vai ser até estarem cumpridos os cerca de 10 quilómetros ou por outra, as cerca de 6 horas. O verde cerca-nos de todos os lados, mas para já o caminho ainda é largo. Segue-se ao longo do vale da Ribeira de S. João e passa-se pela Central Hidroeléctrica da Lousã. Há mais de 70 anos que aqui está esta fonte de energia, embora nos últimos anos funcione sazonalmente. Dá para espreitar por entre os vidros para ver a maquinaria que nos dizem ser material proveniente da Segunda Grande Guerra e ao que parece nunca avariou. Ouve-se a água que corre cheia de pressa e vê-se a Capela da Senhora da Luz que parece inacessível. A partir daqui é a doer.

A encosta íngreme que quase nos sufocava só de olhar, vai ser subida. Devagar, tudo se faz e o que lá no cimo se encontra, serve de recompensa. A levada (corrente de água dirigida para as regas ou moinhos), fonte de energia da central, pode ser agora percorrida por nós durante 2 quilómetros. É bonito o percurso, mas em certas partes assustador, principalmente para quem sofre de vertigens. Sentimos que estamos cá no alto somente devido a um simples pedaço de xisto colocado pela mão do Homem. A levada é longa e o percurso também, daí que segui-la toda até ao fim e tornar a voltar seja uma opção do grupo, principalmente quando se somam mais dois quilómetros aos cerca de 10 do início.

Paisagens feitas de xisto: as aldeias

Nesta altura já o caminho passou a carreiro, de forma que só cabe uma pessoa. O primeiro cume já foi transposto e ao longe vê-se a aldeia do Talasnal, talvez a mais bonita e mais bem preservada do conjunto das quatro. Seguem-se as povoações de Vaqueirinho, Chiqueiro e Casal Novo.

As casas confundem-se na paisagem escura da cor do xisto. Algumas estão abandonadas, outras recuperadas como deve ser, onde as tradições e materiais foram mantidos. São toscas estas construções mas ao mesmo tempo belas diante da sua simplicidade arquitectónica, onde invariavelmente o xisto é utilizado nas paredes e a lousa nos telhados. Só que o vento anda mais forte do que nunca e a telha de canudo colocada por cima da cobertura de lousa é o que de mais frequente se vê. Temendo que não seja suficiente, ainda existem blocos de xisto por cima da cobertura a fazerem peso. Tudo para evitar que se acorde alguma noite a contar quantas estrelas há no céu.

De uma forma geral são edificações que acompanham o declive do terreno e como tal, têm dois pisos. A loja, no rés-do-chão estava destinada aos animais e no andar de cima alojavam-se os proprietários. Assim mantinham a casa aquecida no Inverno já que o calor imanado pelos animais aquecia também os seus donos. As portas baixas e janelas minúsculas ajudavam na tarefa pois as reduzidas dimensões dessas aberturas não deixavam escapar o calor que advinha dos animais. Como Homem e Natureza eram um só, algumas paredes grossas podem esconder algum penedo no interior, o que reduz significativamente a área utilizável. Por serem edificadas todas muito próximas umas das outras, as casas estrangularam as ruas, tornando-as tão estreitas que nem permitiam a passagem de um carro de bois. Aliás, estima-se que alguns destes caminhos não tenham mais do que um metro de largura, obrigando a que tudo fosse transportado às costas. O barro que servia de isolador e as pedras com as quais se faziam as paredes. Trabalhava-se à paciência.

2003-02-04
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